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04/09/2017

O que fazer diante de Kim?

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O recado transmitido pela explosão de mais um artefato nuclear pela Coreia do Norte – provavelmente uma bomba de hidrogênio – é simples: Kim Jong-un venceu. Transformou seu país numa potência nuclear paralela, à margem dos acordos internacionais.



Aliada aos 17 testes de mísseis realizados só este ano e 21 no ano passado – mais do que os 31 nas duas décadas sob o comando de Kim Jong-il –, a explosão permite prever um país capaz de entregar uma bomba H numa vasta área do Hemisfério Norte, incluindo Japão, Rússia, China, Estados Unidos e boa parte da Europa.



Há apenas um ajuste a fazer para que a reentrada dos mísseis norte-coreanos na atmosfera permita que atinjam seus alvos com precisão. Analistas nucleares afirmam que isso deverá ser concluído até 2018. A partir daí, a Coreia do Norte poderá atacar quem quiser com sua nova bomba.



Agora que é impraticável desmatelar, ou mesmo deter, o programa nuclear norte-coreano, as opções diante das demais potências se tornaram reduzidas. Elas se resumem, basicamente, a três linhas de ação, nenhuma delas satisfatória:



Guerra – Tanto o presidente Donald Trump quanto o secretário da Defesa, Jim Mattis, flexionaram seus músculos verbais ameaçando Kim com um contra-ataque terrível. Mas, embora alimente as palavras dos líderes americanos, o cenário de uma conflagração aberta com o regime de Kim é arriscadíssimo. Não haveria garantia de que ele se manteria no campo das armas convencionais – e a ninguém interessa um conflito nuclear.



Novas sanções – É o cenário preferido das potências ocidentais e do Japão. Consistiria, basicamente, em convencer a China a aplicar sanções que outros países já adotaram contra o regime de Kim, com o objetivo de impedir transações financeiras e importação de energia. O governo chinês resiste. Acredita que, provocado, Kim poderá sair ainda mais de controle. Pela relação estável que mantém há décadas com os ditadores norte-coreanos, a China teme qualquer pressão que conduza à mudança de regime no país.



Negociação – É o cenário defendido pela China. Preservando a relação com a Coreia do Norte, os chineses querem ser intermediários num acordo, por meio do qual os Estados Unidos reduziriam sua presença militar na Coreia do Sul em troca do fim do programa nuclear. A esta altura, não se trata de uma meta realista, ainda mais levando em conta o fracasso de várias outras tentativas de dissuadir os norte-coreanos de sua investida atômica.



Tudo isso fica ainda mais difícil com as divergências entre os Estados Unidos e seus dois aliados na região, Japão (onde os americanos mantêm 40 mil soldados) e Coreia do Sul (35 mil). Tóquio desconfia das garantias americanas e deseja incrementar suas próprias forças de defesa. Seul também faz reservas ao governo Trump – depois da explosão, ele nem falou com o líder sul-coreano, Moon Jae-in, cuja postura considera branda.



A maior desconfiança está na relação entre Tóquio e Seul, marcada por conflitos territoriais do passado e por dificuldades em acordos de cooperação. O Japão quer mais pressão e sanções sobre Kim; a Coreia do Sul parece preferir a saída negociada. Quanto mais conseguir ampliar o fosso entre os dois, maior a vitória da Coreia do Norte.



A maior dúvida é sobre a posição chinesa. O teste norte-coreano ocorreu num momento delicado para o presidente XI Jinping. Ele recebe a cúpula dos Brics em Pequim (com a presença do presidente Michel Temer) e prepara o Congresso Nacional do Partido Comunista, previsto para o próximo dia 18.



As estripulias do vizinho nuclear é tudo aquilo de que Xi não precisa neste momento. Embora seja difícil que endosse novas sanções, isso poderá se tornar inevitável. É natural que a China valorize sua posição no tabuleiro. No fundo, também já deve ter concluído que, enquanto Kim estiver no poder, ninguém poderá dormir tranquilo.



 


Por Helio Gurovitz - G1

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