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Mitomania: a arte de mentir compulsoriamente

Publicado 19/11/2019 às 06:04

*Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

Às vezes, as mentiras parecem ingênuas. Outras, causam constrangimento e até confusão e muita preocupação. “Não tem um dia que minha filha não minta. Na maioria das vezes é quando ela faz algo errado e me preocupa o fato dela não se importar em envolver pessoas na trama”, afirma a dentista M.E, de 50 anos, que prefere não ser identificada. Mãe de uma garota de 15 anos que está sendo acompanhada por psicólogo, ela conta que se sente envergonhada por não saber lidar com o problema. “Ela é impossível e nega a mentira mesmo quando é pega no pulo”, diz.

Contar mentiras todo mundo conta, em um momento ou outro. Seja para não magoar alguém, seja para evitar uma situação social desagradável ou para não se expor. Mas quando ocorre compulsoriamente e sem avaliação das consequências, o ato de contar histórias falsas ou exageradas demais vira uma patologia, chamada mitomania ou doença da mentira.

“Quando usamos a mentira para obter algum tipo de vantagem, mesmo que seja pequena, comprometemos a situação de bom convívio interpessoal e podemos entrar em uma linha delicada de distúrbios e transtornos de personalidade”, afirma Alfredo Maluf, médico psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.

De acordo com o especialista, vários fatores psicológicos (personalidade) e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença. “Os fatores ambientais podem ser desde as relações familiares e pessoais complicadas até eventos estressantes. A mitomania pode ser, também, associada a sintomas de várias patologias, como transtorno de personalidade, bipolaridade e sociopatia, por exemplo”.

O diagnóstico da doença da mentira não é fácil, requer tempo e, muitas vezes, ajuda de um psiquiatra ou psicólogo. Geralmente ela é percebida por pessoas que convivem com o mentiroso patológico que não conseguem confirmar as histórias ou que ao confrontar o autor da história recebem uma nova versão.

Tratamento
Por ainda não ser uma doença de diagnóstico definido e por ser sintoma de doenças psiquiátricas, o tratamento começa com a identificação das outras patologias associadas. E os cuidados com o paciente podem variar da psicoterapia (terapia com finalidade de cuidar de problemas psicológicos como ansiedade e depressão) à psiquiatria clínica. “Para esta opção pode-se fazer uso de medicamentos”, afirma Maluf. Mas a grande saída, segundo ele, é o autoconhecimento.

(fonte: Agência Einstein)

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