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ENTREVISTA | Márcio Buzatto, maestro do Coro da URI Erechim desde 2005

Publicado 14/12/2018 às 11:28
Crédito: Gilson Oliveira - ASCOM PUCRS

Crédito: Gilson Oliveira – ASCOM PUCRS

Após ter encantado o público na abertura do Natal da cidade, no dia 8 de dezembro, o Coro da URI Erechim faz nova apresentação. É neste domingo, integrando a programação do Natal da Amizade (veja detalhes ao final da entrevista). A expectativa é grande, tanto da comunidade quanto do grupo coral. E não apenas das integrantes, mas também do maestro, Márcio Buzatto. Apesar da sua grande experiência, não há espetáculo que ele não aguarde emocionado. E um show do Coro da URI Erechim sempre é sinônimo de emoção extra. Afinal, lá em 2005, foi o primeiro emprego de Buzatto com carteira assinada.

Com dois bacharelados em Música na UFRGS, um em Regência e outro em Composição Musical, ambos com Láurea Acadêmica, Buzatto já esteve à frente de alguns dos grupos corais mais expressivos do Sul do País. Entre eles, o Coral Porto Alegre, o Coral da UFRGS e o Coro de Câmara da UFSM. Tem participações como realizador de trilhas sonoras para documentários e curtas-metragens, além de preparador de repertório e arranjador para teatro musical.

De 2010 a 2013, foi maestro nos Concertos Comunitários Zaffari. Em 2016, recebeu a Comenda Lobo da Costa, concedida pelo Partenon Literário, em Porto Alegre (RS), como reconhecimento aos serviços prestados pela cultura e bem-estar social do Estado.

Entusiasta na missão de disseminar a cultura musical, Buzatto ainda produz eventos e movimentos voltados à área e faz direção artística de projetos importantes, com ou sem leis de incentivo. E, na internet, ainda coordena as páginas História dos Corais do Brasil e Coral/Choral World News/Notícias del Mundo Coral. Ambas com grupos de discussão sobre a atividade coral.

Hoje, além da regência do Coro da URI Erechim, do Coral de Meninas de Bom Princípio (RS), e do Coral da PUCRS, de Porto Alegre, Buzatto também é responsável pelas atividades musicais da instituição.

Acompanhe a entrevista exclusiva concedida pelo maestro Márcio Buzatto ao site da Rádio Difusão.

Crédito: Mauro Schaefer

Crédito: Mauro Schaefer

RD – Quando o senhor percebeu que a música seria a sua escolha profissional e por que a opção prioritária pela regência?
Márcio Buzatto – Iniciei cedo na música. Aos 6 anos, entrei no Coral Arautos do Grande Rei, em Xaxim (SC), e lá tive a minha base musical. E bem jovem tive a oportunidade de ser regente daquele grupo. Então, os meus estudos seguiram naturalmente no rumo da regência. Depois fiz a faculdade na UFRGS e iniciei a atuar profissionalmente. O Coro da URI Erechim foi meu o primeiro emprego com carteira assinada, onde completo 14 anos com muitas histórias para contar.

A sua atuação na promoção da cultura, e não apenas na área musical, é bem intensa. Quais são os projetos para 2019?
Estamos procurando impulsionar nossos sonhos, tirá-los do papel e torná-los realidade. Para isso, na URI estamos apostando em projetos diferenciados, que possibilitem eventos com melhor estrutura e maior difusão cultural. Em 2019, queremos fazer um circulação com o show ‘Nova Era’, cuja estreia ocorreu na Frinape, no último mês de novembro. Também temos uma programação de concertos compartilhados. Convidamos expressivos coros para apresentações em Erechim. E este ano também realizamos o festival ‘A Força da Voz Feminina – Outubro Rosa’, que fez muito sucesso. Sempre participamos de muitos festivais em outras cidades e estados, e isso se manterá como base da programação. E estamos estruturando uma viagem internacional, ainda em fase de planejamento. Estão nos planos o investimento em material de vídeo e áudio, para expandir o nosso trabalho também via internet. 

Como escolhe os projetos e os trabalhos que desenvolve? O que mais os instiga profissionalmente?
Escolho pela proposta artística, que é permeada por duas premissas que tenho: difundir a música, para que ganhe mais espaço e conquiste mais público; e ações que elevem o nível musical dos nossos grupos. Assim, vieram os dois festivais independentes que promovemos e também outros institucionais. Entre eles, ‘Rock Festival – Festival de Música Vocal’, da PUCRS; ‘A Força da Voz Feminina – Outubro Rosa – Festival de Coros Femininos’ e ‘Festival de Coros do Norte Gaúcho’, da URI Erechim; e ‘Festival de Coros Infantojuvenis’, de Bom Princípio (RS). Paralelamente, faço toda uma movimentação pelas redes sociais. Dirijo um grande grupo no Facebook, o Coral/Choral World News/Notícias del Mundo Coral, com mais de 5 mil membros, e uma página sobre a História dos Corais do Brasil.

A sua trajetória profissional inclui dividir palco com grandes nomes da música brasileira e internacional, como com a banda The Rolling Stones. Como foram essas experiências?
Dentre as minhas experiências em palco, fazer música com os Rolling Stones foi uma das mais marcantes. Esta ocasião foi no estádio Beira Rio, em Porto Alegre, onde o Coral da PUCRS, no qual trabalho desde 2010, foi selecionado para cantar uma das músicas com a lendária banda. Preparamos tudo e no dia fizemos um ensaio privado com eles. Na noite de 2 de março de 2016, entramos no palco abaixo de chuva, cantando para mais de 50 mil pessoas. Tive oportunidade de cumprimentá-los e de sentir a bondade e gentileza de todos integrantes. Eles foram muito amáveis comigo e com todos os coristas. Isso ficará marcado na nossa memória para sempre.

Como preparador de corais e maestro, o senhor conhece muitas pessoas, e inúmeras delas que estão tendo a sua primeira experiência no canto. Como percebe a influência da música em suas histórias de vida?
A música enobrece as pessoas. Percebo que no contato com a música, especialmente a erudita, a sua percepção é aguçada, e não só a musical, mas a percepção do mundo. A música entrelaça razão e sensibilidade, o que traz maior inteligência para as questões exatas e maior aptidão para as diferentes sensações e emoções. Em se tratando dos períodos de infância e adolescência, tenho visto de perto que a música erudita é praticamente infalível na educação. Todos que conheço que tiveram a oportunidade de cantar ou tocar música erudita de forma séria e estruturada durante a infância tiveram sucesso em seus estudos, famílias e profissões, mesmo que tenham escolhido outras áreas para atuar. A música reflete na vida.

O senhor é regente do Coro da URI-Erechim desde 2005. Como era o grupo na sua chegada e como avalia toda essa trajetória?
Quando iniciei em 2005 peguei um grupo de oito cantores, formado por homens e mulheres. Logo abrimos audições e ficamos com cerca de 30 membros. Foi uma experiência incrível, meu primeiro emprego em universidade, recém saído da graduação em Regência pela UFRGS, muitos sonhos, cheio de energia. Fui contatado por intermédio do Tailor Malossi, professor da Escola da URI. Cheguei e encontrei uma diretoria afinada, na época chefiada pelo Ademar Brum, com o desafio de dar um novo rumo ao grupo. E assim foi. Naquele mesmo ano já fomos a importantes festivais representar Erechim, e no ano seguinte já tínhamos concertos estruturados. Inclusive levamos um para Porto Alegre, em uma série muito disputada na ocasião, que era “Clássicos São José”, da Igreja São José, no Centro da Capital. Desde aquele momento, o Coro da URI Erechim já tinha conquistado seu espaço no cenário musical gaúcho. Foram muitas realizações, viagens, festivais e concertos. Em 2012, o coro se tornou feminino pela escassez de vozes masculinas. Tomamos a difícil decisão de fazer esta mudança, mas vemos hoje que foi o que melhor poderíamos ter feito. A partir dali, o ritmo do grupo acelerou, até chegarmos em 2018 com vários repertórios paralelos, vários projetos sendo realizados ao mesmo tempo e ações de maior alcance de público e mídia. Neste final de ano fizemos muita coisa boa, crescemos bastante e nos destacamos como um dos grupos corais mais profícuos do Norte gaúcho, quem sabe de todo Rio Grande do Sul.

Em fevereiro de 2019, o Coro da URI Erechim realizará audições para selecionar integrantes. Serão quantas vagas e o que é necessário para se candidatar?
Não há limite de vagas. Todas mulheres a partir de 18 anos podem participar. Em fevereiro lançaremos as audições na página do Facebook do Coro da URI Erechim. E então é só comparecer na data e hora especificada. São avaliadas a experiência musical e a afinação, entre outras qualidades.

Para encerrar, uma definição absolutamente pessoal: o que é música?
A música para mim significa tudo. Não poderia me imaginar sem ela, foi o que escolhi. Ou melhor, ela me escolheu para dividir todos os momentos da minha vida.

Crédito: Mauro Schaefer

Crédito: Mauro Schaefer

Serviço:

Natal da Amizade
Quando: 16 de dezembro, domingo, a partir das 16h
Onde: Estacionamento da URI Erechim
Quanto: grátis
O que levar: cadeira, cuia, térmica e a família para um grande espetáculo

Programação
16h – Início da Mateada e Apresentações Musicais
17h30min – Gleison Wojciekowski Quinteto – Grupo de Choro
19h – Concerto de Orquestras e Corais (Maestro Gleison Wojciekowski), Orquestra Belas Artes, Orquestra Sinfônica Getuliense, Coro da URI Erechim, Coro Belas Artes, Coral Nossa Senhora de Fátima, Grupo do Gillé, Pequenos Cantores de Getúlio Vargas, Coro La Montanara (Jacutinga), Coro de Marcelino Ramos e Coro de Aratiba.
20h – Grande show com Wilson Paim, banda e Coro da URI Erechim

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